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{"id":4536,"date":"2021-10-15T14:01:15","date_gmt":"2021-10-15T17:01:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obandeirante.com.br\/?p=4536"},"modified":"2021-10-15T14:01:15","modified_gmt":"2021-10-15T17:01:15","slug":"icone-lgbtqia-do-litoral-norte-thifany-felix-revela-os-desafios-na-busca-por-direitos-igualitarios-na-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obandeirante.com.br\/?p=4536","title":{"rendered":"\u00cdcone LGBTQIA+ do Litoral Norte, Thifany F\u00e9lix revela os desafios na busca por direitos igualit\u00e1rios na regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Marcello Ver\u00edssimo&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 um \u00edcone da representatividade LGBTQIA+ do Litoral Norte de S\u00e3o Paulo. Mulher transexual, Thifany F\u00e9lix, 51, nascida em Ubatuba, \u00e9 uma das representantes mais dedicadas a buscar pol\u00edticas p\u00fablicas para melhorar a qualidade de vida desta comunidade nas quatro cidades do litoral, principalmente em Caraguatatuba, onde mora. <\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2016, ocupa a presid\u00eancia do F\u00f3rum LGBT do Litoral Norte Paulista, movimento social em que atua pelos direitos de gays, l\u00e9sbicas, travestis\/ transexuais e demais g\u00eaneros e sexualidades flu\u00eddos na regi\u00e3o. Nos \u00faltimos cinco anos, Thifany reconhece que a comunidade obteve muitas conquistas por dignidade, respeito e igualdade social. Mas, para ela, desde a elei\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, viver no Brasil, especialmente para as chamadas minorias sociais, est\u00e1 sendo mais dif\u00edcil do que o habitual, isso tamb\u00e9m inclui o Litoral Norte. \u201cSe compararmos a d\u00e9cada de 80 e 90 com nossa realidade atual, para n\u00f3s, parece que estamos voltando ao passado, complicou bastante. Depois da elei\u00e7\u00e3o do presidente, muitos preconceitos velados vieram \u00e0 tona. Pessoas que diziam gostar e nos respeitar no passado, at\u00e9 2017, hoje s\u00e3o capazes de atrocidades que a gente nunca imaginou\u201d, diz ela, referindo-se ao fim de relacionamentos, t\u00e9rmino de amizades, briga com familiares, desemprego, viol\u00eancia, entre outras situa\u00e7\u00f5es que ferem os homossexuais, principalmente travestis e transexuais, simplesmente por existirem. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas Thifany n\u00e3o desanima. Ela sabe que a homossexualidade e a transexualidade n\u00e3o s\u00e3o uma doen\u00e7a, nem aberra\u00e7\u00e3o e que, a sigla LGBTQIA+, \u00e9 uma nomenclatura de inclus\u00e3o em todo o mundo, uma luta social. \u201cNa d\u00e9cada de 80, eu ainda n\u00e3o era uma mulher trans assumida, era um gay e j\u00e1 sentia discrimina\u00e7\u00e3o. Quem viveu naquela \u00e9poca sabe que mandavam matar somente por n\u00e3o gostar e n\u00f3s viv\u00edamos com medo de tudo, n\u00e3o existiam pol\u00edticas p\u00fablicas nem nada que nos defendesse\u201d, ela relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Na linha do tempo tra\u00e7ada por Thifany F\u00e9lix, j\u00e1 na d\u00e9cada de 90, a pauta LGBT obteve mais visibilidade e aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ainda sofrendo discrimina\u00e7\u00e3o e sendo alvo de atos violentos. \u201cNa primeira d\u00e9cada do ano 2000 sentimos que a situa\u00e7\u00e3o realmente melhorou com a ajuda do STF, que proporcionou vivermos com um pouco mais de conforto ao aprovar a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia e regularizar o casamento homoafetivo e na d\u00e9cada seguinte, assuntos que nunca tinham passado pela C\u00e2mara dos Deputados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a partir da d\u00e9cada de 90, na vis\u00e3o de Thifany, ser gay, l\u00e9sbica ou bissexual passou a ser \u201cmais normal\u201d, como diz a pr\u00f3pria Thifany. \u201cN\u00e3o quero dizer que estamos bem, assim como outros segmentos tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o bem. Mas de l\u00e1 pra c\u00e1 n\u00f3s melhoramos, principalmente l\u00e9sbicas, gays e bissexuais. Conseguimos dizer quem somos, que ocupamos espa\u00e7os e ningu\u00e9m pode dizer o contr\u00e1rio, na d\u00e9cada de 80 nem isso era poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a letra T, que inclui travestis e transexuais, identidade a qual Thifany F\u00e9lix se identifica, ainda continua estagnada. \u201cAs travestis e transexuais permanecem na margem da sociedade, no caos, desemprego, sem qualquer equidade, acabando nas ruas, entregues \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o.\u201d, diz ela, que destaca a falta de oportunidades para as transexuais estudarem, por exemplo. Cen\u00e1rio que melhorou ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do decreto de lei do nome social no estado de S\u00e3o Paulo, que possibilita o direito destas pessoas utilizarem o nome pelo qual se identificam no ambiente escolar, entre outros. \u201cMesmo assim, por ser decreto, nem todas as escolas respeitavam. Hoje, torno a dizer, gra\u00e7as ao STF, podemos retificar nossos nomes e sexo, garantindo a nossa dignidade\u201d.&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Popula\u00e7\u00e3o \u2013 Thifany diz que a luta por direitos igualit\u00e1rios continua todos os dias sem prazo para acabar. Ela reconhece que, apesar dos avan\u00e7os, grande parte dos transexuais brasileiros n\u00e3o tem acesso ao emprego formal, com carteira assinada. \u201cPara elas, o \u00fanico meio de subsist\u00eancia \u00e9 na esquina ou por meio de subempregos\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) comprova o alerta da presidente do F\u00f3rum LGBT do Litoral Norte Paulista. De acordo com o estudo, apenas 10% dessa popula\u00e7\u00e3o tem carteira assinada, os outros 90% buscam a prostitui\u00e7\u00e3o para conseguir se sustentar. \u201c\u00c9 a\u00ed que entra o trabalho do f\u00f3rum. N\u00f3s tentamos um di\u00e1logo com nossas autoridades para acolher essa popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes dilemas da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ \u00e9 a t\u00e3o comentada \u201csa\u00edda do arm\u00e1rio\u201d. Thifany diz que por essa raz\u00e3o n\u00e3o existem estat\u00edsticas oficiais sobre a quantifica\u00e7\u00e3o exata da comunidade nas quatro cidades do Litoral Norte de S\u00e3o Paulo. \u201cDas que j\u00e1 se declaram abertamente, aproximadamente 30% da popula\u00e7\u00e3o do litoral norte \u00e9 LGBTQIA+\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Empatia \u2013 Thifany acredita que \u00e9 preciso mais empatia com a causa e a comunidade. Ela diz que a sexualidade e o g\u00eanero de cada um \u00e9 pessoal e n\u00e3o diz respeito a mais ningu\u00e9m. Para ela, a regi\u00e3o do litoral norte, que inclui S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba n\u00e3o discrimina e nem menospreza a comunidade LGBTQIA+. \u201cN\u00e3o acredito que o litoral norte paulista tenha homofobia a este ponto. Falta informa\u00e7\u00e3o, esclarecimento dos nossos gestores\u201d. \u201cEnquanto n\u00e3o se equalizar todo o hist\u00f3rico das travestis e transexuais, n\u00f3s estaremos sim vivendo a margem da sociedade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcello Ver\u00edssimo&nbsp; Ela \u00e9 um \u00edcone da representatividade LGBTQIA+ do Litoral Norte de S\u00e3o Paulo. Mulher transexual, Thifany F\u00e9lix, 51, nascida em Ubatuba, \u00e9 uma das representantes mais dedicadas a buscar pol\u00edticas p\u00fablicas para melhorar a qualidade de vida desta comunidade nas quatro cidades do litoral, principalmente em Caraguatatuba, onde mora. 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